Meu amor ideal

13 de junho de 2011



São Paulo, 5 de março de 2010.

         Minha amiga Luci.

Você não tem ideia do que me anda acontecendo nesse mês! São tantas coisas para te contar que eu nem sei por onde começar, o que você quer saber primeiro: as novidades do colégio novo, essa cidade tão grande e nova para mim, ou dele? Calma bobinha, eu vou contar tudo para você, mais vamos por partes.
         A escola nova está sendo como qualquer outra, a única diferença é que eu ainda não conheço muitas pessoas e sobro nos grupos em algumas aulas. Mais isso eu já sabia que ia acontecer, né amiga. São Paulo é São Paulo. É muito diferente de onde eu morava, é engraçado, tudo é tão longe e ao mesmo tempo tão perto, eu acho que você ia gostar daqui! Tem tudo que você quiser amiga! Tudo mesmo, sempre os lançamentos chegam aqui e sem contar nos shows e eventos.
         Mais o real motivo de eu ter te escrito essa carta é para falar dele. Não sei se você sabe, mais a ideia da família dele também vir para São Paulo foi dele amiga! Eu quase não me segurei quando soube, estava feliz por ele também ter vindo para cá, mais isso é muito melhor do que eu imaginava. Será que agora vai dar certo? Eu fico meio em dúvida amiga, por mais que essa vinda dele para cá também tenha significado algo bastante bom, eu não sei se ele vai continuar gostando de mim, se é que ele gosta, depois do que eu fiz. Eu sei que eu ainda não te contei, mais é uma coisa muito séria para se falar por telefone, e eu ainda não juntei coragem para te contar, mais depois de refletir bastante essa noite, vou te contar nesta carta a terrível coisa que eu fiz.
         Era por volta das 3:30 da manhã e eu tinha acabado de sair de uma festa super legal em que ele estava, até ai tudo bem, nós tínhamos dançado muito daquela noite e eu estava bem contente com o nosso progresso. Mais quando eu cheguei à portaria da boate, o encontrei ficando com outra menina, aquilo foi um choque para mim! Com muito cuidado eu me esgueirei por trás de uma coluna para que ele não me visse e esperei até que ele foi embora e ela ficou suspirando em um banco, aquilo era tão patético que meu deu nojo de ver a cara daquela garota, eu estava com tanta raiva dela que você não tem nem ideia.
         Então, mesmo sem que eu pedisse, um plano começou a tomar forma em minha cabeça! Eu nunca mais teria que ver aquelazinha com ele e também, ele estaria livre só para mim! Assim que ele saiu, esperei 5 minutos e fui lá falar com ela. Cheguei muito empolgada como se ela fosse minha amiga de infância. “Menina, que gato era aquele que você estava ficando? Onde eu encontro um para mim, hein?” Ela me respondeu com um sorriso que me dava vontade de vomitar: “Encontrei ai na festa, ele é gato mais não quero nada não. Você acredita que dei o telefone errado?!” Isso sim me fez com que quase pulasse no pescoço dela, mais tive que me conter, tinha muita gente perto. Conversamos mais um pouco sobre futilidades, o que era só o que ela sabia falar. Assim que senti que ela estava gostando da minha companhia, perguntei se ela já estava de saída, e ela respondeu que sim. Então perguntei onde ela morava e é claro que disse que morava muito perto, essa era a minha oportunidade de ouro! Propus que nós dividíssemos um táxi e menti dizendo que tinha um ponto confiável logo depois da esquina. Quando dobramos a rua, Deus sabe de onde, achei umas garrafas de bebida vazias no chão, isso estava saindo mais certo do que eu imaginava. Fingi que estava amarando minha sandália e quando ela me deu as costas bati com toda a minha força na cabeça dela. Ela caiu no desmaiada no chão na mesma hora. Peguei-a pelos braços e levei para trás de umas árvores. Peguei o casaco dela e amarrei os braços atrás do corpo e a levei para o lago que fica atrás da boate. Peguei uma pedra pesada que estava próxima a borda e coloquei por dentro da blusa dela. Apesar de todo o peso, consegui empurra-la para uma distancia razoável e então seu corpo inerte afundou. Voltei para a rua e chamei um táxi, quando cheguei em casa tomei um bom banho e fui dormir com a minha consciência leve, tinha feito tudo aquilo por amor afinal. Agora, enquanto escrevo essa carta para você minha amiga, percebo que tenho sim que ir atrás dele. Já fiz tudo isso, não é justo que eu o perca por falta de luta. Amiga, me deseje sorte e saiba que eu a amo como uma irmã, não quero me manter afastada de você depois dessa mudança, espero que me entenda e não me julgue.
Com carinho, Paula.